Tem notícias que a gente não apenas conta. A gente comemora. E esta é uma delas.

Maria Goret Chagas acaba de receber um daqueles reconhecimentos que fazem o coração de quem conhece sua história bater um pouco mais forte: foi escolhida para integrar a Academia Brasileira de Belas Artes, no Rio de Janeiro.

Para Goret, a notícia chega como uma grande celebração de uma vida inteira dedicada à arte, à cultura, à educação e à inspiração. Para Franca, é também motivo de orgulho ter entre seus nomes uma artista que há tantos anos leva sua sensibilidade, sua coragem e seu talento para muito além das fronteiras da cidade.

A decisão foi tomada em 8 de abril de 2026, em reunião interna da diretoria da Academia. Goret foi aprovada por votação unânime da Comissão de Avaliação, por indicação da acadêmica Norma Cali. Ela ocupará a Cadeira Livre nº 21, que tem como patrono Galdino Guttman Bicho.

A posse está marcada para 7 de dezembro, em uma solenidade no Clube Naval, no Rio de Janeiro.

Mas, para entender a dimensão desse momento, é preciso olhar para a mulher por trás da artista.

Goret nasceu em Delfinópolis, Minas Gerais, e chegou a Franca ainda menina, aos 10 anos. Foi aqui que criou raízes, construiu sua vida e passou a fazer parte da história cultural da cidade. O próprio Circuito Sesc de Artes já registrou sua trajetória e sua maneira singular de pintar, usando a boca e os pés.

E talvez seja justamente essa palavra — singular — que melhor combine com Goret.

Ela não permitiu que as limitações físicas definissem o tamanho de seus sonhos. Fez da arte uma linguagem própria. Formou-se em Letras, Educação Artística e Semiótica, tornou-se escritora e palestrante e passou a compartilhar, além de suas pinturas, uma mensagem de coragem, criatividade e possibilidade.

Sua arte já percorreu exposições no Brasil e no exterior. Seu trabalho também está ligado à Associação dos Pintores com a Boca e os Pés, da qual é membro associada.

E quem conhece Goret sabe que falar dela apenas como alguém que “superou limites” é pouco.

Goret é artista.

Artista que estuda, cria, escreve, pinta, expõe, participa, conversa, ensina e inspira. Uma mulher que transformou sua maneira particular de tocar o mundo em uma linguagem artística reconhecida por tanta gente.

Por isso, essa cadeira na Academia Brasileira de Belas Artes tem um simbolismo tão bonito.

É como se uma história que começou há tantos anos, em Delfinópolis e depois em Franca, ganhasse agora mais uma moldura.

E que moldura!

Goret chega à Academia levando consigo suas telas, seus livros, sua voz, sua história e, principalmente, o nome de Franca.

Há algo muito bonito em acompanhar uma pessoa querida alcançar um lugar que ela construiu com tanto trabalho. E, no caso de Goret, existe ainda a emoção de saber que sua arte nasceu de uma maneira tão íntima de enxergar a vida.

Ela mesma traduz sua relação com a arte de uma forma muito especial: busca a excelência através de uma arte “pintada e escrita com a boca, com os pés e com o coração”.

Talvez seja exatamente isso.

Com a boca, com os pés e, sobretudo, com o coração.

É assim que Maria Goret Chagas chega à Academia Brasileira de Belas Artes.

E é assim que Franca a aplaude.

Parabéns, querida Goret!

Que dezembro chegue trazendo uma daquelas emoções que ficam guardadas para sempre. Porque algumas conquistas pertencem a uma pessoa, mas acabam se tornando alegria de todos que tiveram o privilégio de acompanhar sua caminhada.

E esta, sem dúvida, é uma delas.

RE COMPARINI