Sob a coordenação de Lilian Gomes, realizou-se no Anfiteatro Central da Unifran o I Simpósio Multidisciplinar de Promoção da Saúde Mental no Contexto do Setembro Amarelo – “Conexões pela Vida”. O evento reuniu profissionais, docentes, estudantes e a comunidade em um espaço gratuito de conscientização e solidariedade, com a arrecadação de fraldas geriátricas para entidades assistenciais da cidade.

Abertura e Programação Científica

Com uma abordagem voltada para a prevenção ética, humanizada e baseada em evidências, o simpósio estruturou debates essenciais ao longo de sua programação:

  • Abertura e Contextualização: Espaço dedicado às boas-vindas e à reflexão sobre a prevenção do comportamento suicida como um compromisso coletivo e desafio urgente de saúde pública.
  • Comportamento Suicida ao Longo do Desenvolvimento Humano: Painel conduzido pela Dra. Sofia Gracioli, abordando os sinais de alerta, manejo e especificidades de cada etapa da vida.
  • Saúde Mental no Trabalho: Palestra ministrada por Ana Flávia da Silva, com foco em fatores ocupacionais, estratégias de prevenção no ambiente laboral e o impacto do estresse corporativo.
  • Transtorno por Uso de Substâncias e Comportamento Suicida: Apresentação conduzida pelo Dr. Marcos Bovo, detalhando a relação entre a dependência química, a vulnerabilidade emocional e as condutas de manejo preventivo.

Profissionais e Contribuições Técnicas

Entre o corpo de palestrantes e convidados multidisciplinares, destacou-se a atuação da psicóloga Roberta Vilela, juntamente com especialistas que apresentaram diretrizes clínicas e dados estratégicos para a rede de atenção:

1. Pilares da Avaliação Clínica em Saúde Mental

Durante as exposições técnicas, reforçou-se a relevância de avaliar seis dimensões fundamentais para a condução segura e humanizada de casos de risco:

  1. Ideação: Análise de frequência, intensidade e nível de controle dos pensamentos.
  2. Plano e Acesso: Identificação de especificidade, tempo e disponibilidade real de meios.
  3. Intenção: Avaliação do desejo de agir, preparativos e ambivalência.
  4. História: Levantamento de tentativas anteriores, autolesão e crises passadas.
  5. Estado Atual: Observação de dor psíquica, impulsividade, agitação ou intoxicação.
  6. Proteção: Mapeamento de vínculos afetivos, rede de apoio e razões para viver.

2. Sofrimento Humano e Redes de Apoio

As palestras ressaltaram a necessidade de identificar a linguagem do sofrimento em diferentes fases do desenvolvimento:

  • Infância: Identificação de sinais não verbais através do brincar, do lúdico e de mudanças repentinas no comportamento.
  • Jovens e Universitários: Enfrentamento das pressões acadêmicas, transições de vida e adaptação social, destacando a importância de canais acessíveis de escuta nas instituições de ensino.



    A Multidisciplinaridade como Caminho de Prevenção
  • Guiado pelos pilares Falar, Acolher, Conectar, Cuidar e Valorizar a Vida, o simpósio reforçou que a saúde mental não é responsabilidade exclusiva de uma única área, exigindo a articulação continuada de redes de atenção psicossocial, instituições públicas e a sociedade civil.
  • Durante as intervenções e conferências, foram apresentados dados estatísticos e concetuais relevantes sobre o panorama da saúde mental no Brasil:
  • Dados Epidemiológicos (2010–2019): Foram registadas cerca de 112.230 mortes por suicídio no país, com um crescimento de 43% no número anual de ocorrências. Os dados do Ministério da Saúde apontam que a mortalidade é superior no sexo masculino, enquanto as tentativas e episódios de automutilação registam maior prevalência no sexo feminino.
  • Consumo de Substâncias em Jovens (PeNSE/IBGE 2019): Alertas epidemiológicos indicam que 63,3% dos estudantes entre os 13 e 17 anos já experimentaram bebidas alcoólicas (chegando aos 76,8% na faixa dos 16 aos 17 anos), além de um aumento no uso de substâncias ilícitas de 8,2% (2009) para 12,1% (2019).

Impacto e Ação Comunitária

Guiado pelos pilares Falar, Acolher, Conectar, Cuidar e Valorizar a Vida, o I Simpósio Conexões pela Vida consolidou-se como um marco no Setembro Amarelo em Franca, reforçando que o conhecimento acessível e a integração de saberes são fundamentais para transformar cuidado em ação.

Equipe organizadora do I Simpósio Multidisciplinar “Conexões pela Vida”